terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natalis Solis Invicti



O Nascimento do Sol Invencível era uma tradicional festa dos antigos romanos, instituída a partir dos cultos pagãos em homenagem ao Deus Sol.

Rá, Mitra, Baal, Surya, entre outras divindades solares, eram homenageadas em grandes e importantes festividades populares, saudando a esperança, a força e a renovação do Deus Solar.


Não obstante o frio e o gelo do Hemisfério Norte na época de dezembro, haveria sempre a esperança do Deus Sol de vir aquecer a terra e germinar os frutos, trazendo novamente a abundância, a energia, a vitalidade a todos.


Por isso que eram momentos de festa, muita comida, bebida e troca de presentes.


As luzes estavam presentes em todos os lugares, seja através de lamparinas ou velas, iluminando todas as casas e os caminhos por onde se passavam.


Era a conhecida Saturnália, na qual celebrava-se o Solstício de Inverno (Yule para alguns), festa em homenagem à Saturno. Era portanto, solenizado o dia mais curto do ano no Hemisfério Norte e o nascimento de um Novo Sol.


A ideia de um Deus Sol personificado, o "Salvador" dos momentos difíceis do frio e da seca foi um prato feito para o cristianismo.


Tendo sido decretado como religião oficial a partir de Constantino, (317-337 d.C), então Imperador de Roma, como antigo adorador do Sol, transformou o dia 25 de dezembro uma Festa Cristã. 

Ele transformou as celebrações de homenagens à Mitra, Baal, Apolo e outros deuses, na festa de nascimento de Jesus Cristo. Uma forma de sincretismo religioso. Assim, rituais, crenças, costumes e mitos pagãos passam a ser patrimônio da “Nova Fé”, convertendo-se deuses locais em santos, virgens em anjos e transformando ancestrais santuários em Igrejas de culto cristão. Deve-se levar em consideração que o universo romano foi educado com os costumes pagãos, portanto não poderia ocorrer nada diferente.
Todavia, o povo cristão do Oriente, adaptou esta celebração para 6 de janeiro, possivelmente por uma reminiscência pagã também, pois esta é a data da aparição de Osíris entre os egípcios e de Dionísio entre os gregos. (A verdadeira história do Natal - Ceticismo.net)

Não obstante seja muito estranho comemorarmos o Natal da forma como vemos em propagandas e na mídia, na figura de um velho de barbas longas, roupa vermelha e botinas, que entrega presentes montado em seu trenó (levado por renas por todo o mundo), é importante para aqueles que traçam uma caminhada mágicka ir um pouco além da limitada formação cristã propalada ao longo dos últimos séculos.


Isso porque no Hemisfério Sul estamos celebrando o Solstício de Verão, no qual o Deus Sol está em seu ápice.


Em Litha celebremos a dualidade, ou seja, a Deusa no seu aspecto Gaia – Mãe Terra e o Deus na sua força de Deus Solar (germinador), é um momento de agradecimento, cura de todos os tipos (espirituais, emocionais, físicas e mentais) e de muita força, pois contamos com as duas polaridades em seu momento ápice e isso se vê por tudo o que brilha, floresce, aquece, energiza neste período. Aqui no Hemisfério Sul somos realmente muito abençoados por termos esse período tão forte e marcante dentro de nosso ciclo sabático.


Confraternizar, estar com as pessoas queridas, cantar, dançar e trocar presentes com certeza é muito mais do que este “Natal” que nos forçam a aceitar, mas sempre vale a pena quando conseguimos colocar em práticar o sentido mágicko da energia deste momento único de força, beleza, magia e transformação.

Um feliz e mágicko Dia do Sol Invencível!

Evoé!

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Para saber mais: A verdadeira história do natal

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Entre o Sagrado e o Profano



Mircea Eliade, em sua obra "O Sagrado e o Profano" faz uma análise antropológica e histórica acerca do entendimento do Sagrado ao longo da história, suas distorções dentro das "religiosidades" e o retorno à religiosidade natural, o animismo, após o século XIX.

Entre as excelentes reflexões, uma em especial me chamou a atenção, logo no início da obra, que trata do "espaço sagrado", que todo homem constrói.

É muito comum ao entrarmos em um templo ou em um determinado local de práticas religiosas, sermos avisados de que estamos em um "espaço sagrado", no qual é necessário respeito, silêncio, austeridade.

Parece que até a atmosfera é diferente... o ar é mais pesado... como se séculos de história e o espírito dos antepassados compusessem uma força extraordinária, capaz de pelo simples fato de estarmos ali, nos catapultar para um estado alterado de consciência. E, incrivelmente, nos sentimos leves, como se fôssemos penas ou pequenas folhas, envolvidas pela brisa da espiritualidade.

Algumas pessoas afirmam ter visões e uma expansão energética; outras recebem mensagens ou sentem suaves aromas.

Independentemente da experiência individual de cada um, certo é que o espaço sagrado é necessário a todo ser como forma de se encontrar, fugindo do profano (e a ideia de profano que aqui tratamos é a do ser que se encontra afastado de sua própria sacralidade, que ainda não despertou o divino em si ou que deixa-o adormecido) e experienciando uma consciência de pertença a algo maior.

Essa crença em algo maior, bem como a certeza de que o espaço sagrado permite uma conexão com a força geradora, com o Todo, acende a centelha da fé e auxilia no discernimento da vontade pela busca da sabedoria.

Segundo Eliade, o espaço sagrado permite que se obtenha um "ponto fixo", "possibilitando, portanto, a orientação na homogeneidade caótica, a “fundação do mundo”, o viver real."

E continua:
No interior do recinto sagrado, o mundo profano é transcendido. Nos níveis mais arcaicos de cultura, essa possibilidade de transcendência exprime se pelas diferentes imagens de uma abertura: lá, no recinto sagrado, torna-se possível a comunicação com os deuses; conseqüentemente, deve existir uma “porta” para o alto, por onde os deuses podem descer à Terra e o homem pode subir simbolicamente ao Céu. Assim acontece em numerosas religiões: o templo constitui, por assim dizer, uma “abertura” para o alto e assegura a comunicação com o mundo dos deuses."
Mas esse lugar sagrado não existe apenas nos templos, mas em todo lugar em que vamos, buscamos uma conexão com um ponto sagrado, a referência da espiritualidade daquele local. Pode ser uma árvore, uma pedra, uma varanda, o canto de uma casa... o sagrado se revela de forma espontânea e marcante, como um alento às nossas preces de novamente estarmos em contato com o Todo, explorando o divino que em nós habita.

Mesmo em casa, temos o nosso local sagrado, ou, como alguns chamam, o "lugar de poder".

Existem rituais específicos para encontrar o local de poder, ou também o "ponto de força" em nossa própria casa, mas de forma simples podemos dizer que este local é onde nos sentimos bem, onde sentimos uma força especial e uma vontade de ficarmos em silêncio, meditativos ou contemplativos, pois a isso o sagrado nos inspira.

Entre o Sagrado e o Profano, trilhando entre os caminhos da audácia e da aceitação social, é importante que tenhamos em nosso lar/ambiente de convívio, um local especial, mágicko, sagrado, no qual possamos estar mais perto do divino, que não está apenas no alto, mas no Todo e, principalmente, dentro de cada um de nós.

Evoé!

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sábado, 12 de outubro de 2013

Bruxaria Natural



O Caminho do Sol, possui dentro de sua organização um espaço muito especial para o trabalho com a magia natural, principalmente desenvolvido pelas bruxas (mulheres que já detêm a sabedoria da magia natural em sua essência).

Mas o que é a bruxaria natural?

Luna de Haya, em postagem sobre o tema, traz interessante enfoque:

"A Bruxaria Natural vem de encontro a mais pura essência de nosso ser, sendo assim não está ligada a tradições e seus dogmas, mas temos que ter em mente que seja qual for o tipo de magia que seguimos, teremos sempre as regras naturais do Universo.
         Uma Bruxaria Livre, onde podemos escolher nossos próprios caminhos, onde vamos buscar nossa essência mais pura, interagindo diretamente com a Natureza e todo o mistério nela contido, vamos ao encontro dentro de nós mesmos, resgatando a nossa magia interior.
        A Bruxaria é a verdadeira essência do passado que nos remete a tempos em que nos embrenhávamos em florestas, clareiras, a procura de ervas, de alimento, de raízes, momentos em que cuidávamos dos seres vivos com tanto amor, que a natureza nos presenteava com seus dons...
     A Bruxaria é muito mais que rituais e feitiços, é compartilhar, amar, cuidar...
        É saber levar a cada um o amor de nossos caminhos, o conhecimento sem medo de ser passado a outras pessoas, mas realmente passar na esperança que seja para um grande propósito onde fará a diferença um dia para muita gente. É sentar em um circulo com amigos queridos e somar cada vez mais seus conhecimentos, ninguém por mais simples que seja, chega de mãos vazias. Sempre teremos algo a compartilhar." http://agrandeteia.no.comunidades.net/index.php?pagina=1300623348

Ora, tentar explicar ou definir já é automaticamente sair do contexto no qual a bruxaria natural e insere, pois ela não se molda a títulos ou formatos rígidos.

Porque é natural, ela flui, diretamente do centro do nosso ser, para a realização no mundo exterior.

De uma foram simples, a bruxaria natural é a bruxaria que já reside dentro do coração de cada um, que identifica o sagrado em todas as coisas e está totalmente livre de dogmas, ritos ou hierarquias.

A utilização do que está à nossa disposição, seja o sol que brilha, a lua que acalma, o fogo que agita, a chuva que encanta, as ervas, cascas, raízes, folhas e flores... utilizadas para a realização do nosso propósito mágico.

Na bruxaria natural, não havendo dogmas, não se "inicia" através de um rito formal, nem se "aprende" através da leitura de livros, mas simplesmente se vive a cada momento.

A alquimia é despertada no coração de cada bruxo de uma forma diferenciada. Alguns se sentem mais atraídos pela magia do fogo, outros pela magia das plantas. Seja como for, ela simplesmente se manifesta da única forma como poderia: naturalmente.

Deixar despertar a bruxa natural é se reconectar com o sagrado, primeiro dentro de cada um, e também com o Todo que se manifesta ao nosso redor.

É dançar sem música, de pés descalços e a alma livre.

Se entregar no mais profundo êxtase através do cheiro embriagante da mirra ou do alecrim.

É se recostar em uma árvore e admirar as suas copas, honrar sua existência e se permitir aprender com ela.

A bruxaria natural é simples porque está ao alcance de todos.

Basta permitir que ela se manifeste.

Aproveitando a primavera e toda a energia fertilizadora da Gaia, te convido a se permitir experimentar esse novo despertar para a magia natural.

Evoé!

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domingo, 15 de setembro de 2013

Os bens do iniciado



Já dizia Khail Gibran que "a simplicidade é o último degrau da sabedoria.

Pensando nessa frase, trazemos a tona o conhecimento de Eliphas Levy e todo seu empenho em poder divulgar o conhecimento mágicko não como algo extremamente complicado (como vemos em algumas correntes magístickas), com símbolos, selos e segredos, mas algo simples, palatável... desde que estivesse disposta a retirar os véus da ilusão que cobrem o olhar de quem tenta mirar além do horizonte.

Todo o ensinamento é traduzido de uma forma profunda, mas simples. Mas não é uma leitura simples, pois por trás de cada palavra desvelamos o verdadeiro conhecimento nas entrelinhas, de forma sutil, e que se revela àqueles que abrem seu coração ao "chamado", sendo iniciado ou não nos mistérios mágickos.

Já comentado em um outro post, uma das iniciações mais belas que retirei da obra "Dogma e Ritual de Alta Magia", de Levy (uma das melhores obras sobre magia já escritas, segundo minha simples opinião) foi justamente a que trata dos bens do iniciado.

Embora não seja o objetivo destas mal traçadas linhas repassar qualquer tipo de iniciação, falar sobre a obra me parece algo positivo no aspecto tanto de instigar os que ainda não tiveram contato com a obra a desbravá-la, bem como aqueles que já trilham o caminho da Antiga Audácia há algum tempo de lembrar desses simples detalhes.

"O iniciado é aquele que possui a lâmpada de trimegisto, o manto de apolônio e o bastão dos patriarcas."

O primeiro bem é a Lâmpada de Trimegisto.

Através dela, temos a razão esclarecida pela inteligência.

É o SABER, que se revela, para o bruxo, como a perspicácia de saber o quê fazer, como fazer, quando fazer e quando não fazer uma determinada prática.

Mas, antes de tudo, o conhecer a si mesmo e a Arte que pratica.

O segundo bem, é o Manto de Apolônio.

Pelo manto, temos a posse plena e total sobre nós mesmos, isolando o iniciado das correntes instintivas.

É o CALAR, a prudência, a discrição sobre o conhecimento e o trabalho que praticamos, evitando com isso a perda de energia, com isso, nos protegemos tanto dos outros quanto de nós mesmos.

Controlar o ímpeto de falar ou escrever o que não se deve é sem dúvida uma das maiores dificuldades de todo iniciado.

O terceiro bem é o Bastão dos Patriarcas.

No bastão do patriarcas temos o auxílio das forças ocultas e perpétuas da natureza.

É a audácia, OUSAR mudar as circunstâncias e o ambiente que envolve o iniciado, com a certeza de que nunca estará sozinho em suas atividades mágickas, tendo sempre a força e a base sólida das energias ancestrais em toda ação realizada.

Entretanto, os bens do iniciado só adquirem o seu empoderamento a partir do momento em que o verbo QUERER entra em ação, pois todo ato mágicko depende da vontade que nele é colocada, é o direcionamento das forças e energias para alcançar um determinado objetivo. É o coração ardente e o foco totalizado na razão da sua vontade.

Esses bens valiosíssimos são os únicos que precisam acompanhar o mago nessa longa viagem do "Louco ao Mundo" (adorei essa frase da amiga Lis Taróloga).

Para nós, bruxos, mais valiosos do que os bens materiais, ou a pedra filosofal, é alcançar o equilíbrio de nossa essência, vencer a luta contra o profano e deixar fluir o sagrado dentro de nós.

Assim, retornamos à simplicidade, no qual o iniciado é o título que cada um carrega, e com honra ostenta, frente à grande maravilha que é o Todo desvelado.

Evoé!

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domingo, 11 de agosto de 2013

O Anjo da Esperança

Anjo do Raio Verde, Luz da Aurora, Vênus...
O silêncio e a confusão que rodeiam a ideia de luciferianismo é mais do que motivo suficiente para que alguns esclarecimentos sejam feitos sobre como vemos o Anjo da Esperança.
Recomendo a leitura de excelente texto publicado, com as devidas ressalvas a pontos de vista pessoais. 
O importante no texto é o apanhado, o contexto histórico que ele reflete.
Uma excelente leitura!
Evoé!

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Hórus - De criança prometida ao guerreiro interior




Há muito tempo quero escrever algo sobre Hórus, divindade muito especial dentro tanto da história do Egito quanto dos ensinamentos mágickos do Caminho do Sol.

Mas por quê esta divindade é tão importante?


Muitos são os mitos e as fontes do nascimento de Hórus, inclusive com a distinção entre Hórus (velho, irmão de Ísis, Osíris, Néftis e Seth) e o Hórus (criança), também nominado Harpócrates, filho de Ísis concebido magicamente do falo reconstruído de Osíris, que lutou com Seth tanto pela vingança pela morte do pai, quanto para assumir o reinado do Alto e Baixo Egito, que entendia ser seu por direito.



A divindade da cabeça de falcão, que carrega sobre si os símbolos do Alto e Baixo Egito, simbolizando a unificação do Sagrado Khem, é uma divindade solar, considerado como a manifestação do poder do sol, o "deus dos Céus", "Hórus do Horizonte", que era descrito como "Senhor das duas Terras, sob cujas asas está o circuito do céu, o falcão que irradia luz dos seus olhos".



Considerado para os antigos egípcios como a encarnação de Rá na Terra (a manifestação solar no plano material - fogo), Hórus era a "encarnação do dia", e deus do Sol nascente, que todos os dias lutava contra o exército das trevas para assegurar o nascimento do novo dia e, com isso, consagrar a força da sua vitória.



Hórus, para os antigos egípcios, é considerado a encarnação de Rá na Terra, a manifestação solar no plano material, o princípio do fogo. Hórus era a “encarnação do dia” , aquele que venceu o deus Seth (representação do mal) heroicamente, na luta entre o bem e o mal, fazendo vencer a luz. Por isso seu nome está associado ao heroísmo.



Também era conhecido como deus do Sol nascente. Todos os dias lutava contra o exército das trevas para assegurar o nascimento do novo dia. Era tido também como protetor dos homens jovens, ensinando-os a serem filhos obedientes, para mais tarde tornarem-se homens justos e de bem, pois de acordo com a lenda, ele arriscou sua vida para vingar a morte de seu pai Osíris. Hórus tornou-se um dos deuses de maior importância da vasta cosmologia egípcia. Passou a ser representado por um falcão, após matar o assassino de seu pai. Com sua vitória sobre Seth, obteve o direito de governar o Egito.

No portal do norte, o inverno, temos em Hórus a "criança prometida", o grande milagre da vida, a esperança que renasce a cada dia. Simboliza o nosso guerreiro interior, que nunca desiste, pois nele reside a esperança da conquista sob todo o mal.



Através do falcão, seu símbolo maior, nos auxilia a enxergar as situações “de cima”, com maior discernimento e justiça. Também ajuda os jovens a terem uma conduta correta e justa, e a mantermos o foco nos nossos objetivos.



Assim como a águia, que quando envelhece se vê obrigada a arrancar suas próprias penas e quebrar o seu bico velho que não a auxilia mais contra as pedras, também nós temos que saber deixar para trás aquilo que não nos serve, dando lugar às “novas penas”, que nos libertarão dos grilhões do passado, nos deixando livres para viver nosso presente e construir um novo futuro.


Filho e herdeiro de Osíris na Terra, também cabia a Hórus a manutenção do túmulo, bem como das oferendas funerárias, sendo o mediador entre o morte e Osíris durante o “julgamento de Osíris”.



O seu amuleto, “olho de Hórus”, representa o olho que Seth destruiu durante a luta entre ambos. Possuindo poderes mágicos, transformou-se num poderoso amuleto, capaz de proteger quem o usasse, trazendo saúde, sorte e prosperidade.



Uma antiga oração para Hórus:

“Por ele o mundo é julgado naquilo que contém. O céu e a Terra encontram-se sob sua presença imediata. Governa todos os seres humanos. O Sol dá volta segundo sua vontade. Produz abundância e a distribui pela Terra. Todos adoram sua beleza. Doce é seu amor em nós”.



Por todos os ensinamentos que tu trazes todos os dias no amanhecer e a consciência de um novo ciclo de transformações e a certeza de vitória, te saúdo, ó Grande Hórus!



NFT.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Fogueira Sagrada

Em nossa Tradição, trabalhamos com energias, elementos e elementais; divindades dos mais diferentes panteões. Entretanto, um elemento está sempre presente, tanto em nossos rituais, como em nossas meditações: o fogo ancião.
Em sua companhia, podemos entrar em estado alterado de consciência, transpor os portais do tempo-espaço; podemos queimar pedidos e lançar sortilégios... observá-lo como oráculo e consultá-lo como conselheiro.
Seja através do encanto da dança das salamandras ou do convidativo azul do túnel que nos leva para o outro lado, os senhores do fogo nos trazem sua sabedoria, força e coragem.
Em uma pira, no caldeirão ou mesmo a singela chama de uma vela, a chama sagrada está sempre ao nosso lado, nos convidando a acreditar na grande magia que é o fato de Ser, e não apenas existir.
No xamanismo, é o querido abuelo, o avô fogo, aquele que transmite todo o conhecimento do Universo através de ensinamentos simples, de coração para coração.
Na tradição mágicka, a fogueira sagrada representa a vida, a força e a ousadia. 
Nada se compara à grande fogueira... e  não, não são memórias de antigos tempos de inquisição!
É um sentimento diferenciado, único, que toma não apenas o coração, mas todos os sentidos... 
O crepitar da madeira que se doa às labaredas; as salamandras que entre movimentos suaves e rápidos lambem sua casca; a brasa firme e pulsante que aos poucos cria desenhos que brincam com nossa visão que insiste em racionalizar...   é a magia da terra, do fogo e do ar, verdadeira alquimia!
Dançar e cantar ao redor da fogueira, assim como faziam nossas irmãs, as antigas feiticeiras... Gargalhar sob a luz do luar, espiralando e enviando ao Cosmos o cone de poder...
Relembrar as bacantes com pequenos goles de vinho, entregues ao delírio inebriante de estar conectada ao Todo.
É realmente indescritível todas as emoções que sentimos quando entramos na energia do fogo sagrado! 
Honrar o poder, a força e a sabedoria da sagrada fogueira é o que tentamos despertar em cada iniciado, bruxo ou não (pois iniciados todos somos).
Uma das formas mais efetivas de fazê-lo é através da conexão que estabelecemos com a fogueira, com o olhar paralelo que se troca, com o bailado que fazemos em seus braços febris.
A forma com a qual cada um se relaciona com esta grandiosa energia é pessoal, porém é impossível para quem segue uma caminhada mágicka ignorá-lo, subestimá-lo ou profaná-lo.
Um dos grandes momentos que temos no Caminho do Sol é quando participamos das fogueiras sagradas que marcam os principais sabbaths do ano (solstícios e equinócios). As fogueiras são organizadas pelo Conselho de Thoth (do qual o CSFOM faz parte), e é aberto àqueles que sentirem no coração o desejo de estar celebrando entre bruxos e simpatizantes, mais um novo ciclo dentro da grande roda do ano.




No próximo dia 22 de junho estaremos juntos, o Conselho de Thoth, celebrando mais um solstício ao redor da sagrada fogueira, e este é um convite o que agora recebes.

Para maiores informações entrar em contato através do email conselhodethoth@hotmail.com.

Evoé!


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domingo, 2 de junho de 2013

Grande Deusa Branca



Grande Mãe
Deusa Branca
Donzela, mãe e anciã
Senhora da Luz
Derrama sobre teus filhos
Tua força e tua sabedoria
Tua magia e tua intuição

Grande Mãe
Deusa de Infinita Beleza
Que todas as noites traz teu ensinamento
Ensina-nos a saber
Ensina-nos a calar
Ensina-nos a querer
Ensina-nos a ousar
Em teu silêncio ensinas grandes lições
Quando nos banha com teus raios de prata
Tornando todos parte de ti

Grande Mãe
Deusa de Graça e Luz
Quando donzela nos traz teu encanto
Fiando a Teia do Universo
Construindo novos caminhos
Crescendo dentro de nós
A luz que existe em ti

Grande Mãe
Deusa de Força e Beleza
Quando mãe nos traz teu poder
Tecendo a Teia do Amor
Reinando soberana sobre tudo o que existe
Transformando nosso ser
Cheia de magia e poder

Grande Mãe
Deusa de Magia e Saber
Quando anciã nos traz tua sabedoria
Cortando a Teia do que Passou
Ensinando a estar presente no hoje
Libertando nosso ser daquilo que não serve mais

Grande Deusa Branca
Que acolhe todos os teus filhos
Com paciência, ternura e bondade
Que quando na noite escura estivermos
Em que tua luz se torna invisível
Possamos aprender contigo a honrar dentro de cada um de nós
A escuridão que também em nós habita

Em todas as tuas faces
És infinito poder
Infinito amor
Infinita sabedoria
Te honramos em tudo o que representas
Te amamos por tudo o que és
Que todas as tuas faces sejam honradas
Que nenhuma delas seja negada

Grande Mãe
Deusa Branca
Donzela, mãe e anciã
Senhora da Luz
Derrama sobre teus filhos
Tua força e tua sabedoria
Tua magia e tua intuição
Porque todos os teus poderes
Também são nosso
Pois todos os teus poderes
Estão dentro de nós


Evoé!!!

sábado, 18 de maio de 2013

Só sei que nada sei



Em "Soneto Antigo", um soneto de linda e profunda mensagem, Cecília Meireles revela:


Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

Na poesia, temos ricas lições que nos servem como inicações tanto de vida como da caminhada mágicka.

Na leitura do soneto de Cecília, é revelado um dos grandes segredos do conhecimento: o olhar para dentro.

Isso porque a lição que precisamos entender não está apenas nos livros, mas principalmente dentro de nós. Escutar nosso coração, entender como funciona nossa mente e os nossos pensamentos e compreender nossa missão nesta caminhada abre as portas para um conhecimento superior, pois nos coloca em uma vibração superior.

Desvelar-se é redescobrir-se e reinventar-se, e esse é o caminho de quem segue o autoconhecimento através do caminho mágicko.

A busca do conhecimento interior também reflete o ensinamento da escola maiêutica de Sócrates, que coloca o maior desafio do iniciado em uma única frase:


CONHECE A TI MESMO

Essa frase, em latim  "nosce te ipsum", é um aforismo grego que estaria inscrito nos pórticos do Oráculo de Delphos, segundo a tradição antiga, e que revela o grande ensinamento que deve estar no coração dos indivíduos.

Porque a iniciação mágicka muitas vezes nos leva à arrogância, à ideia de que já temos o conhecimento do mundo - ou, pior ainda - de que temos mais conhecimento do que os outros (pobres mortais) porque estamos em uma caminhada mágicka.

Pois aí é que Maya - a Deusa da Ilusão - vence. Seu grande trunfo é fazer com que acreditemos de que temos o conhecimento e enxergamos a verdade, quando, na verdade, nos perdemos na ignorância da ilusão.

Quem acha que sabe de tudo, por consequencia não está diposto a aprender e, portanto, nada sabe.


A consciência de nossa própria ignorância abre não apenas nossa mente, mas nosso coração e nosso espírito ao aprendizado, a ver lições em todas coisas, em todas as pessoas, situações e no Universo como um Todo.

E outra não foi a resposta de Sócrates, ao ser pronunciado como o homem mais sábio do mundo pelo Oráculo de Delphos:


SÓ SEI QUE NADA SEI


E essa deve ser a resposta de todo iniciado que se vê como um eterno buscador, que possui a mente aberta e coração quente (como diz o querido Mestre Íbis), pronto a deixar-se imergir na grande iniciação que é a vida.


Quem tem consciência que nada sabe, está pronto pra aprender, e, por consequencia, sabe muito.
E quanto mais sabe percebe que mais tem a aprender… Este é o verdadeiro sábio... O que se enxerga como um eterno buscador.


A este buscador, são dados inúmeros presentes, como a lâmpada de Trimegisto, o manto de Apolônio e o bastão dos Patriarcas (Eliphas Levy). A caminhada do mago/bruxa é solitário, porém sempre terá o auxílio (pequenos milagres), no momento em que se reconhece pequeno frente ao Todo.

Os Mistérios nos são revelados quando estamos aberto para aprendê-los, e essa é a recompensa que nos traz a alegria e o estímulo a continuar caminhando.


E como o caminho não precisa ser de sofrimento e dúvida, mas também de beleza e suavidade, podemos nos abrir ao conhecimento através das Artes Antigas,  como a música, a pintura e a poesia.
E para não dizer que não falei de flores, encerro a reflexão com a última parte do soneto de Cecília:


Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

Evoé!

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Saindo do Cubo (ou descontruindo a Caixa) - ensinamentos de mística egípcia





No estudo da mística egípcia, encontramos muitas referências ao cubo, não apenas como base da mais perfeita estrutura física já vista (as pirâmides), mas como referência ao próprio mundo no qual existimos (noção platônica) e, ainda, com relação ao potencial humano restrito.

O desenho do cubo expressava a questão do espírito e seu aprisionamento ao corpo humano.

Conforme Moustafa Gadalla, na obra Mística Egípcia:

O egípcio era muito consciente da estrutura em forma de caixa, a qual é o modelo da terra ou do mundo material. A forma estatuária chamada "estátua cubo" é a que prevalece desde o Reino Médio (2040-1783 a.C.). O sujeito era integrado à forma cúbica da pedra. Nessas estátuas cúbicas, há uma poderosa sensação do sujeito emergindo do confinamento do cubo. Seu significado simbólico é de que o princípio espiritual está emergindo do mundo material. A pessoa terrena é colocada de forma indefectível na existência material.
O cultivo das virtudes desejadas tem o efeito de liberar o aspirane do mundo material ao se emergerir da caixa, o eu inferior.
 A pessoa Divina é mostrada sentada de forma ereta num cubo, ou seja, mente sobre matéria.

O cubo, é, portanto, o mundo material, aquele no qual o homem é inserido e, quando ainda não despertado à realidade, o seu cárcere.

Mas como despertar e deconstruir a sua caixa? Como sair do cubo?

Novamente, as lições da Mística:
Há basicamente duas forças dentro de cada um de nós: uma nos puxando para dentro da caixa, e outra nos puxando para fora dela. A luta interior arquetípica no modelo egípcio é simbolizada num conflito entre Heru (Hórus) e Set (Seth). É a luta arquetípica entre forças opostas.
É necessário trabalhar as virtudes e alimentar a força criativa e romper os padrões do mundo material!

Mais do que isso, empreitar uma jornada de reconhecimento do seu próprio Seth interior, o ser desértico que habita o coração de cada homem, no aguardo de iluminação pelo Hórus reinante.

Para que na luta arquetípica Hórus possa vencer Seth, é necessário que sejam visualizados cada um dos obstáculos dentro de nós e controlados e/ou superados.

Para se libertar do cubo, descontruir sua própria caixa, há uma necessidade de olhar para si mesmo no espelho, e, deliberadamente, optar por negar (refrear) os vícios e afirmar  (cultivar) as virtudes.

Refrear-se de vícios como inveja, falar pelas costas, não purgar a ignorância, não ser caridoso, o ego, preguiça, superconfiança, arrogância, ser evasivo, indiferença, gulodice, vícios de linguagem, raiva, hipocrisia, vaidade, etc.

Cultivar virtudes como: reconhecimento de um erro; firmeza e gratidão; devoção desinteressda, amor, anseio/desejo; resolução, ser verdadeiro; contemplação, exame e avaliação de si mesmo; paciência; silenciar e ouvir; fome de conhecimento; humildade; satisfação/contentamento; servidão; força de vontade/determinação; ação correta; sinceridade. (Mística egípcia, p. 49-50).

A proposta de sair do cubo é sair do estado de "dormência" no qual nos encontramos e buscar as respostas não fora, mas dentro de nós mesmos, adquirindo a consciência de que somos bem mais do que pensamos e que nosso poder é ilimitado.

É romper com as barreiras da ignorância e do medo e ousar questionar os limites de sua consciência.

É tornar viva a chama do espírito inquieto e transformador. 

É voar mais longe do que imaginamos, romper a barreira da matéria e quebrar com o senso comum.
  
E junto com Hórus, desfrutar da calma beleza de sentarmos sob o trono da caixa recém quebrada.

Hotep!

 





quarta-feira, 17 de abril de 2013

As Duas Pedras



Elas são amigas e companheiras dos bruxos. Possuem em si mesmas todo o conhecimento e sabedoria do Universo.
Em sua simbologia simples mas extremamente complexa, temos nas duas pedras o fundamento e alicerce da caminhada mágicka.
As pedras das quais falo são aquelas que simbolizam nossa dualidade (única forma de chegar à unicidade): a da esquerda, traz consigo a força do feminino, do oculto, o yin, a emoção e a paixão, os medos e o nosso lado sombrio; a da direita, por sua vez, o masculino, o que se revela, o yang, a razão e a prudência, nossas virtudes e aquilo que deixamos à lume.
Eis o sentido mágicko e o motivo pelo qual nós bruxos trabalhamos tanto com estas pedras.
Porque representam as duas colunas, ou, como coloca Elifas Levi:
"Bohas e Jakin são os nomes das duas colunas simbólicas que estavam diante da porta principal do templo cabalístico de Salomão.
Estas duas colunas explicam em cabala todos os mistérios do antagonismo, quer natural, quer político, quer religioso, e explicam a luta geradora do homem e da mulher, porque, conforme a lei da natureza, a mulher deve resistir ao homem, e este deve atraí-la ou submetê-la.
O princípio ativo procura o princípio passivo, o cheio é amnte do vácuo. A goela da serpente atrai a sua cauda, e, girando sobre si mesma, ela foge de si e persegue a si mesma." (Dogma e Ritual de Alta Magia, p. 80).
Não há unidade sem o respeito à dualidade, e a consciência desta ambiguidade é o que nos faz permanecer - ou ao menos buscar - o "caminho do meio".
O caminho do meio é o objetivo a que todo Mago almeja: o equilíbrio do Ser, através do domínio de suas paixões e emoções, sendo ele quem domina, e não o dominado.
É esta a lição que o nosso querido Mestre, o escritor, Mago e amigo Mário Scherer, lança em sua obra-prima À Pequena Bruxa:
"Uma bruxa não busca o virtuosismo, na negação do conjunto natural de suas paixões, mas o equilíbrio entre elas, pois o contraditório não é conflitante e sim complementar." (p.15).
Assim, vemos da importância de ter essas pedras (em especial, pois são elas que nos encontram) em nossa caminhada mágicka, pois são um símbolo de alerta de que não há bem e mal, mas uma unidade, que possui metades complementares.
Quando dizemos "Sou um Ser de Luz", estou ao mesmo tempo, mesmo que de forma velada, afirmando "Honro a Sombra que Sou", pois não há um sem o outro.
E na nossa caminhada, precisamos trabalhar com a dualidade buscando o equilíbrio. Meditar sobre nossas falhas, nossos medos e imperfeições é trabalhar em nosso aperfeiçoamento pessoal. 
Não se vangloriar de seus feitos, mas reconhecer suas virtudes também traz ao bruxo a auto-estima indispensável para quem busca ser o "dominador" e não o dominado.
É sempre tempo de meditar, mas também tempo de agir, portanto não espere mais! Não aguarde!
Pegue suas pedras e entre em contato profundo com as forças que em ti habitam, pois assim, com certeza, estarás te trabalhando na busca do teu equilíbrio.
Não é uma questão de julgar ou comparar, mas de honrar cada parte do nosso Ser e que, se honrando, também se honre todo o Divino, todo o Sagrado, o Todo em sua compreensão infinita.
Evoé!

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Caminho do Sol

Depois de passar pela noite escura da alma, eis que ressurge o Sol, e, com ele, a esperança renovada de um novo dia, da nova vida após a morte.
Seguindo a tradição mágicka egípcia, vemos o Sol como o Grande Criador, o Grande Pai. 
Tal associação é feita devido à potência masculina associada à figura do Sol. Sua energia, que tem o poder de dar a Vida a tudo que nos cerca, é complementar à força feminina da Mãe Terra, que tudo recebe em seu útero.
Visto como Amon, Rá, Atum ou Aton, expressa a força solar como a energia que move o planeta e todas as coisas. E, pelo amor que sentimos e a gratidão de desfrutar deste esplendor, adoramos ao Deus Sol!
Um dos momentos mais belos e profundos que partilhamos na caminhada mágicka é a Saudação ao Sol, que também poderia ser nominada como a Despedida do Deus Solar, que em sua barca, toma os caminhos infindáveis do Universo, levando consigo nossas angústias e tristezas para, no outro dia, ressurgir em plena força e alegria, nos trazendo a esperança do novo amanhecer.
A linguagem figurativa que temos nesta viagem que Rá faz também associa-se à história de Kephra, ou Kepher, o escarvelho sagrado, que rolando seu próprio excremento, forma uma pequena bolota e ali deposita seu ovo, sendo o símbolo da vida após a morte e a ressureição (e por isso um amuleto de valor muito estimado para os antigos egípcios).
Do ponto de vista mágicko, vemos na metáfora a oportunidade que cada um tem de deixar-se libertar  das tristezas, mágoas e dissabores. Abandonar imperfeições, as culpas e os julgamentos, entregando-os aos cuidados do Astro Rei, que ao cair da noite, leva consigo aquilo que não mais desejamos, permitindo-nos novamente sermos preenchidos com amor e esperança da iluminação.
Tal associção permite que cada um manifeste sua própria divindade, que se permite morrer a cada dia, para renascer em beleza e perfeição.
Assim, podemos dizer que o Caminho do Sol é o caminho que cada um de nós permeia na busca da sua divindade, o seu reencontro com o Sagrado, o Divino, o Eu Superior. E, como toda caminhada, é necessário não desviar das pedras e dos obstáculos, mas superá-los; equilibrar-se sobre o pontihão da dúvida e penar na subida do monte da realização.
E quando se chega no alto, é necessário enxergar todo o panorama e certificar-se de que as lições foram compreendidas e ter humildade para voltar e recomeçar a caminhada, desde o atalho que foi tomado indevidamente ou o desvio que foi realizado, para então ser possível desfrutar da paz que reside no coração de quem bravamente sabe que a vida nada mais é do que um constante caminhar.
Este é o Caminho que me proponho a seguir. Esta é a minha caminhada. 
O Caminho do Sol, o nome do meu Coven e minha inspiração.
Evoé!

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Noite Escura da Alma




Aqueles que sondam os caminhos da espiritualidade e, principalmente, os que optam pela caminhada mágica, um dia irão compreender e vivenciar o que chamamos de "A noite escura da alma".
Por ser um termo associado à introspecção, quando as situações e as incompreensões sobre o que nos cerca nos colocam em dúvida sobre tudo e todos, geralmente é visto como algo sombrio, triste, depressivo.
Entretanto, o termo "A noite escura da alma", surgiu como um título de poema escrito no século XVI pelo poeta e místico cristão São João da Cruz.
O mote do referido poema está na dolorosa experiência que as pessoas têm de suportar ao buscar crescimento espiritual e a união com a Deus (no caso, lemos Deus como a Divindade que habita em cada um de nós).
Para aquele que se encontra na noite escura da alma, as bases de sua crença encontram-se abaladas, e, como num passe de mágica, parecem perder todo o valor a ela agregado. A pessoa se sente em estado de abandono, ou como se estivesse em uma grande e infinita espiral rumo ao abismo, em colapso.
E esse período dura exatamente o tempo necessário à recomposição do indivíduo, agora com sua força e fé renovada e com uma nova carga de ensinamentos que foram trazidos durante "a noite" que agora precisam ser compreendidos e assimilados. A alegria da reorganização mental e espiritual, e novamente a reconexão com o seu Ser divino.
Assim, as "noites escuras" são momentos de extrema importância na caminhada, pois são aquelas nas quais confrontamos nosso maior inimigo: nós mesmos. E, não havendo perdedores nem vencedores nesta luta, o equilíbrio é a recompensa almejada: nosso pote de ouro no final do arco-íris.
E por ser tão misteriosa e tão bela, "A noite escura da alma" acabou sendo musicalizada e mundialmente conhecida na voz de Loreena Mackennit, na música "The Dark Night Of The Soul".


A noite escura da alma.

Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh, ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em sítio onde ninguém aparecia.

Oh, noite que me guiaste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!
Em meu peito florido
Que, inteiro para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

São João da Cruz


quarta-feira, 27 de março de 2013

O silêncio e a sua importância na tradição mágicka



Harpócrates (em grego: Ἃρποκράτης), na mitologia grega, é o deus do silêncio. Foi adaptado pelos antigos gregos a partir da representação infantil do deus egípcio Hórus. Para os antigos egípcios, Hórus representava o Sol recém-nascido, surgindo todo dia ao amanhecer. Quando os gregos conquistaram o Egito, com Alexandre, o Grande, acabaram por transformar o Hórus egípcio numa divindade helenística conhecida como Harpócrates (do egípcio Har-pa-khered ou Heru-pa-khered, lit. "Har, a Criança").
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Questão que merece destaque e dedicação àqueles que trilham os caminhos do ocultismo e da tradição mágicka é o silêncio e sua importância no caminho do iniciado.

O sigilo, os mistérios, o segredo, o silêncio, todos trabalham em um mesmo sentido: manter a higidez mental, o equilíbrio emocional e, principalmente, o domínio sobre o ego.

Pesquisando em outras páginas na procura de uma imagem para o texto, deparei-me com ótimo texto que trata exatamente da questão do silêncio na magia, conforme os ensinamentos de Aleister Crowley.

Ainda, sou obrigada a parafrasear Mark Twain, em frase tão sutil e cheia de significado:
"Como a abelha trabalha na escuridão, o pensamento trabalha no silêncio e a virtude no segredo."
Pode ser que no profano, o silêncio seja mal entendido, tomado como um erro. Isso porque no pensamento comum, a lógica que impera é que sendo detectado qualquer dissonância com a realidade e podendo o indivíduo desfazer equívocos ou mal entendidos, silenciar seria uma omissão.

Entretanto, há um longo caminho a ser percorrido antes de se dizer que algo está destoando da razoabilidade.

Se um dos postulados mágicos mais importantes é o "não julgar", como podemos, prontamente, indicar se algo é ou não é verdadeiro, correto ou sincero?

Por isso a importância do silêncio, da observação. Em silêncio, preservamos aquilo que temos de mais importante: nós mesmos.

As palavras possuem uma força imensa e é portanto indispensável o uso da prudência quando da sua manifestação.

A ideia de que se pode falar tudo o que se quer a qualquer momento é, no mínimo, tentando não ser repetitiva... profana... 

Saber conviver com as discordâncias, com aquilo que não entendemos, é trilhar o caminho do autoconhecimento e desenvolvimento mágicko e pessoal do bruxo.

Já diz o ditado que se não tem nada de belo para dizer, então que não o digas!

E não estou aqui tratando de questões de debate, os desafios dialéticos, o secreto poder da argumentação, pois estas merecem nossas palavras, desde que, por óbvio, bem colocadas.

Me refiro aqui à questão da retidão do iniciado na caminhada mágicka. A prudência de não revelar suas reais intenções e, principalmente, não utilizar do conhecimento comum para ter acesso aos diferentes planos astrais.

Entre outros tantos motivos, podemos dizer que a caminhada mágicka é o desvelar de mistérios, sendo que o maior mistério de todos é a redescoberta da Divindade que existe em cada um de nós.

Silenciar a palavra, a mente e as reações não volitivas (aquelas que são efetivamente reativas a uma determinada ação) são os trunfos que um Mago deve utilizar de forma sábia.

Da mesma forma, realizar seus rituais de forma secreta e sigilosa também garante tanto a manutenção energética de uma egrégora quanto possíveis "ataques" de seres e pessoas que não estão interessados que o iniciado tenha sucesso em sua empreitada de manter-se fiel à Tradição.

Por fim, os sigilos são o que considero os instrumentos de maior importância e segurança para o bruxo no momento de seu conjuro e na realização de sua obra mágicka. Isso porque o sigilo é algo que pertence somente ao bruxo e nunca pode ser compartilhado. Assim, não é possível ser copiado ou, ainda, sofrer interferências, seja de qual plano for.

Muitas obras, hoje em dia, ensinam como fazer os sigilos, mas ainda tenho fé que apenas na efetiva iniciação mágica pode-se dar a real dimensão desta ferramenta.

E em se tratando de silêncio, a manifestação já foi mais do que longa.

Deixo todos com uma mensagem, a mesma que encerra o texto destacado no início dessa reflexão:

"De todas as Virtudes Mágicas, de todas as Graças da Alma, de todas as Consecuções do Espírito, nenhuma tem sido tão mal-compreendida, até quando foi sequer vislumbrada, quanto o Silêncio". (Aleister Crowley)

Evoé!

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